NOTÍCIAS - Mitos e verdades sobre a proposta construtivista

Mitos e verdades sobre a proposta construtivista

Em entrevista concedida a educadores, a diretora da Escola Moppe, Teresinha Pereira de Almeida pontuou questões relevantes para a pedagogia contemporânea, acentuando diferenças marcantes entre a experiência de ensino tradicional e a construtivista.


P: Quais os ganhos de uma criança quando ela participa de uma experiência construtivista?

Teresinha: O grande ganho de uma pessoa, ao estudar em uma escola construtivista, dá-se na aquisição libertadora da educação, na sua autonomia tanto intelectual como moral. O educador Ulisses Araújo, após estudar grupos de crianças que participaram de um ambiente onde as normas de conduta são discutidas pelo próprio grupo, e outro, onde as regras são determinadas pelo professor, concluiu que o primeiro grupo apresentou um desenvolvimento mais autônomo do juízo de valor.

Na proposta construtivista a interação com o objeto de estudo favorece para que a criança tenha forte atividade intelectual, problematize, questione, busque explicações, fazendo-a pensar no todo e não nas partes, estimulando amplas possibilidades, desenvolvendo as múltiplas inteligências.


P: Você falou sobre autonomia intelectual e moral? O que são elas?

T: Segundo Piaget, a autonomia intelectual é desenvolvida no aluno quando há liberdade e oportunidades constantes de experiências, tentativas e erros - quando ele pode projetar sua própria atividade - tomar consciência dos seus progressos - construir significado a respeito do assunto tratado. Já a autonomia moral é criada a partir de valores morais construídos  também a partir da interação do sujeito com os diversos ambientes sociais e durante a convivência diária; e, principalmente, o adulto é o modelo que ela irá utilizar para construir seus valores, princípios e normas morais. 


P: Uma escola construtivista ajuda no desenvolvimento das relações?

T: Sim, as crianças apresentam um avanço geral e perceptível no desenvolvimento sociomoral, por exemplo, passam a ver os conflitos como possibilidade de aprendizagem e crescimento, passando (como consequência) a resolvê-los de maneira mais adequada, estabelecendo interações mais amigáveis e cooperativas. Nessa prática, os jogos cooperativos são muito significativos, por isso são mais incentivados do que os competitivos.


P: Uma criança que estuda em escola construtivista se adapta à tradicional?

T: Os estudos mostram que o que foi investido nas crianças, durante a infância, não será perdido, muito pelo contrário, pois estão acostumadas a pensar, a discutir, a opinar, a arriscar, a ter autonomia. O que nos é relatado com frequência, é que alunos que estudaram em escola construtivista, ao irem para o modelo tradicional, sempre têm destaque positivo por sua maneira de interagir com o objeto do conhecimento, por suas colocações e fácil assimilação; como foram ensinados a olhar o todo, decorar passa a ser algo irrelevante.


P: Qual a diferença entre prática autoritária e autoritarismo?

T: O autoritarismo é imposto, não respeita a individualidade, provoca submissão e mal-estar.

Já ao contrário, a autoridade é demonstrada dentro de um ambiente respeitador para assegurar que as regras sejam respeitadas. Elas são construídas com os alunos ou postas de maneira que ele entenda o sentido de sua pertença. Quando pais e professores exercem sua autoridade, são reconhecidos positivamente porque as crianças percebem que eles estão sempre dispostos a ajudá-las, percebem que eles são fortes  e as respeitam, assim, sentem-se motivadas e melhoram a sua autoestima. Em um espaço onde haja autoridade, não há porque os alunos sentirem-se humilhados. 


P: Como são resolvidos os casos de disciplinas?

T: No construtivismo o aluno é questionado quanto ao seu comportamento e sobre a  quebra de uma regra. Juntamente com ele, e com seus pares ou pais (quando se faz necessário), levantamos uma série de hipóteses e analisamos todos os fatos, levando-o a colocar-se no lugar do outro e pensar sobre sua ação e possíveis consequências. Mais que punir, é preciso levar o individuo a ter atitudes conscientes; mesmo quando se erra, buscamos juntamente com ele falar a verdade e pensar em outras possibilidades de ação.


P: Qual a diferença entre um professor construtivista e o tradicional?

T: O professor construtivista é o mediador entre o conhecimento e o aluno, garantindo um grau de interação em sala de aula que garanta que o aluno se aproprie do saber. Para ele o aluno é um ser cognoscente. Ajuda também o aluno a entender as regras e a buscar o conhecimento, isto é, a sua autonomia moral e intelectual. O professor provoca constantemente o aluno a refletir, pensar, resolver situações-problema. Nessa prática valoriza-se o aluno diariamente, levando-o a comprometer-se, e a desenvolver o gosto pela leitura, pela pesquisa e outros construtores do conhecimento.

O professor construtivista é atento às necessidades  e ao tempo sócio-histórico em que esse aluno está inserido. Assim, precisa estar em constante acompanhamento  da mídia e da tecnologia, tornando a capacitação e o estudo os motivadores de seu trabalho.

O professor tradicional é o transmissor e o detentor do conhecimento e o aluno é aquele que recebe seus conhecimentos; é autoritário, traz tudo pronto. Não há planejamento para projetos, trabalhos em grupo, não se desenvolvem as competências individuais de cada aluno, o objetivo é  sempre armazenar conteúdos e a apreensão faz-se somente pela memória.

 
 

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